terça-feira, 19 de abril de 2016

NOVAS TÉCNICAS NARRATIVAS

O MONÓLOGO INTERIOR DIRETO E INDIRETO
O DISCURSO DIRETO E INOVAÇÕES
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Tipos de Discursos

O termo discurso é usado em teoria literária com o sentido de fala ou pensamento. Assim, o discurso de um personagem é o seu ato de falar ou pensar.
Nas narrativas de ficção é o recurso dramático por excelência. Portanto, seria inimaginável um conto, uma novela, um romance sem ele. No teatro, o diálogo (termo mais aplicável), assume papel tão relevante, que sem ele seria praticamente impossível à encenação da maioria das peças teatrais.
Do ponto de vista estrutural, o discurso se classifica em:
1 - Discurso Direto;
2 - Discurso Indireto;  (clique no link)
3 - Discurso Indireto livre;  (clique no link)
4 - Monólogo interior;  (clique no link)
5 - Solilóquio.  (clique no link)
Às vezes, o narrador pode servir-se de uma fusão dos discursos direto e indireto.
1 - O DISCURSO DIRETO
O Discurso será direto quando temos, em um texto narrativo, a reprodução direta (literal) da fala das personagens. Em outras palavras, o narrador não nos diz o que a personagem falou; ele interrompe sua narrativa para ceder a palavra à personagem para que ela mesma fale.
O discurso direto, geralmente, se caracteriza com o narrador explicando quem vai falar (a frase termina por dois pontos). Abre-se então um novo parágrafo para nele colocar um travessão, seguido da fala da personagem:
João Romão parou à entrada da oficina e gritou para um dos ferreiros:
Ó Bruno! Não se esqueça do varal da lanterna do portão! (O Cortiço)
Observe, no exemplo acima, que o narrador interrompe a narrativa para introduzir (ceder), em novo parágrafo, as palavras (fala) do personagem. Temos, então, um discurso ou diálogo direto.
Normalmente o narrador introduz a fala das personagens por meio de verbos chamados dicendi, de elocução ou declarativos: dizer, afirmar, responder, declarar, perguntar, indagar, questionar, interrogar, seguido de dois-pontos:
Paulo, irritado comentou:
Agora é o carro que não funciona.
Os verbos sentiendi: gemer, suspirar, lamentar, queixar-se, que expressam estado de espírito, reação psicológica, emoções, também podem introduzir as falas das personagens:
O Aluno queixou-se:
Só poderei sair do meu quarto amanhã.
Os verbos dicendi e sentiendi não só podem abrir (preceder) o diálogo, como também encerrá-lo, ou intercalar-se, e podem ser pontuados de acordo com a sua posição. Veja:
O alfinete disse à agulha:
Faze como eu, que não abro caminho para ninguém¹ (antes da fala separa-se por dois pontos).
Faze como eu, que não abro caminho para ninguém – (,) disse o alfinete à agulha (depois da fala separa-se por travessão ou vírgula).
Faze como eu - (,) disse o alfinete à agulha (,) – que não abro caminho para ninguém (no meio da fala separa-se por travessão ou vírgula)
Observação: Não havendo diálogo, a reprodução da fala da personagem pode ser feita por aspas, sem a necessidade do travessão inicial. Como mostra os dois últimos exemplos acima. A frase depois da fala e intercalada é iniciada por letra minúscula.
Os verbos dicendi, sentiendi, ou qualquer verbo que introduza ou apresente a fala da personagem, o travessão, os dois-pontos e as aspas são as marcas do discurso direto.
As Inovações
Alguns autores modernos aboliram o emprego dos verbos dicendi (porque as falas são breves) em favor de um ritmo mais veloz da narrativa:
O pai bateu-lhe amistosamente no braço:
Está bem, meu filho. Vai.
Na busca de maior expressividade, escritores modernos, como José Saramago, utilizam estruturas inovadoras e criativas para reproduzir os diálogos da narrativa. Em O Ano da Morte de Ricardo Reis, ele utiliza parágrafos de aproximadamente uma página, com textos ininterruptos e diálogos inseridos em meio à narração sem o recurso dos dois pontos, do travessão ou das aspas:
[...] pela expressão da cara não parece ser causado desgosto ter caído São Sebastian, Ela diz, Desculpe, senhor doutor, não tenho podido vir [...]. Não por isso, pensei que [...], Sentia-me cansada desta vida, [...]
Semelhante processo é utilizado pelo brasileiro Rubens Fonseca no conto A Matéria do Sonho. As histórias em quadrinhos também empregam, em balões, o discurso direto.
Para exemplificar a importância do discurso direto, recorro ao conceito de Celso Cunha, em A Nova Gramática do Português Contemporâneo:
No plano expressivo, a força da narração em discurso direto provém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio, fazendo emergir da situação a personagem, tomando-a viva para o ouvinte, à maneira de uma cena teatral, em que o narrador desempenha a mera função de indicador das falas.”
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DO DISCURSO DIRETO AO INDIRETO
E VICE-VERSA

É de vital importância para o ficcionista dominar estas duas estruturas do diálogo e, mais ainda, conhecer as relações existentes entre elas. Na transposição do estilo direto para o indireto e vice-versa, realizamos alterações na estrutura do período, das quais vamos destacar as mais importantes:
1. O Foco Narrativo - O discurso direto apresenta, sempre, a fala da personagem em primeira pessoa. No indireto usa-se a terceira pessoa, em vez da primeira ou segunda:
(eu) Tenho pressa — disse o rapaz (discurso direto).
O rapaz disse que (ele) tinha pressa (discurso indireto).
Ela respondeu:
(eu) Comprei um lindo vestido (discurso direto).
Ela respondeu que (ela) comprara um lindo vestido (discurso indireto).
2. Os Tempos Verbais - Ao transformar o discurso direto em indireto, você estará transcrevendo, no indireto, algo que alguém já disse. Portanto, o tempo será sempre passado em relação ao direto. Dessa forma, no indireto:
a) Verbo no pretérito imperfeito em vez do indicativo:
Não bebo dessa água - afirmou a menina. (direto: presente do indicativo)
A menina afirmou quer não bebia daquela água. (indireto: pretérito imperfeito)
b) Verbo no futuro do pretérito, em vez de futuro do presente:
Farei o possível - disse o moço. (direto: futuro do presente)
O moço disse que faria o possível. (indireto: futuro do pretérito)
c) Verbo no futuro do pretérito, em vez de futuro do presente:
Ele confessou:
Irei ao jogo. (direto: futuro do presente)
Ele confessou que iria ao jogo. (indireto: futuro do pretérito)
d) Verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo, em vez do imperativo:
Aplaudam – ordenou o diretor. (direto: imperativo)
O diretor ordenou que aplaudíssemos. (indireto: pretérito imperfeito do subjuntivo)
3. Pronomes e Advérbios – Na fala das personagens do discurso indireto, os pronomes pessoais de 1ª pessoa (eu, nós, me, mim, comigo) e de 2ª pessoa (tu, vos, te, vos, convosco, você) devem ser substituídos pelos pronomes de 3ª pessoa (ele, ela, lhe, o, a, se, com ele, consigo):
Onde você mora? Perguntou Aguinaldo. (direto)
Aguinaldo perguntou onde ele morava. (indireto)
Os pronomes demonstrativos (tanto de 1ª quanto de 2ª, singular ou plural) este, esta, esse, essa, isso, meu, minha, nosso, teu, tua, vosso, vossa devem, no discurso indireto, serem substituídos por pronomes de 3ª: seu, sua, aquele, aquela, aquilo:
O que é isto? Indagou o professor ao aluno. (direto)
O professor indagou ao aluno o que era aquilo. (indireto)
4. Expressões de Tempo e Lugar – As expressões de tempo e lugar que indicarem proximidade (hoje, agora, aqui, cá) devem ser substituídas, no discurso indireto, por aquelas que designam distância: ontem, naquele instante, lá, ali.
Venha , minha filha — disse a mãe impaciente. (direto)
A mãe, impaciente, pediu a sua filha que fosse até . (indireto)
5. No discurso indireto usamos a forma declarativa, em vez da interrogativa ou imperativa do discurso direto:
Eu ordenei-lhe: Venha imediatamente! (discurso direto)
Eu ordenei-lhe que viesse imediatamente. (discurso indireto)
Indagou o cirurgião: Qual será a verdadeira idade do doente? (direto)
Indagou o cirurgião qual seria a verdadeira idade do doente. (indireto)



O Monólogo Interior
O monólogo interior é uma técnica literária que trata de reproduzir os mecanismos do pensamento no texto. Caracteriza-se por transcorrer na mente da personagem, como se o "eu" falasse a si próprio. Daí considerar-se o monólogo interior, um diálogo que pode ocorrer com ela mesma; visto que subentende a presença de um interlocutor, "o tu" (com quem se fala), ou seja, "o outro". Já por aí se vê, portanto, que teremos uma personagem desdobrada em duas entidades mentais: "o eu e o tu", ou melhor, "o eu e o outro", que trocam ideias ou impressões, confrontam-se, discutem e tentam se entender como pessoas diferentes.
Como foi mesquinha a minha conduta! Exclamou ela, eu que me orgulhava tanto do meu discernimento, da minha habilidade! Eu que tantas vezes desdenhei a generosa candura de minha irmã [...]. Como é humilhante esta descoberta! Mas como é justa esta humilhação! [...]. Mas a vaidade, não o amor, foi a minha loucura! [...]. Até este momento eu não conhecia a minha própria natureza. (Orgulho e Preconceito. Jane Austen.)
Podemos observar, neste fragmento de Orgulho e Preconceito, que a personagem exprime o seu pensamento mais íntimo. Defronta-se com suas próprias falhas, admite que errou e que merece a humilhação pela qual está passando. Falando com a "outra" que existe dentro dela, assume não ter conhecido sua própria natureza e fragilidades, caracterizando assim, o monólogo interior.
Nesse tipo de discurso, o escritor expressa em seus escritos (por meio da personagem), sentimentos e pensamentos reprimidos, ocultos, que não consegue expressar com palavras; fantasias que nunca puderam ser transformadas em ações e desejos que nunca puderam ser realizados. Isso permitiu aos escritores, durante o modernismo, explorar os tumultuados mundos que constituíam o interior de si mesmos.
De dois modos pode apresentar-se o monólogo interior:
a) Diretamente, isto é, sem a intervenção do escritor, ou de qualquer marca manifestando a sua intervenção, como introduções ou intercalações do tipo: pensava ele, dizia-se etc.; e mesmo as aspas. De maneira que a personagem expõe o conteúdo subterrâneo de sua mente, tendo o presente (do pensamento) como tempo dominante, numa espécie de confidência (direta) ao leitor, sem barreiras de qualquer ordem e sem obediência à normalidade gramatical.
As últimas quarenta e cinco páginas do Ulisses, de James Joyce, têm sido consideradas o exemplo mais acabado e perfeito do monólogo interior direto; principalmente, na citada fala de Molly Bloom, que atinge o auge por ter sido suprimida toda a pontuação, e se desenrolar sem quaisquer interrupções até ao final do romance. A pontuação marcaria uma interrupção – uma respiração - logo, seria ainda uma intervenção do autor.
Em Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector, encontram-se dois monólogos interiores diretos (emprego da primeira pessoa, ausência de um interlocutor e a não interferência do escritor) entre as páginas 58 e 63 e 175-179. Do primeiro destaco um trecho:
A cama desaparece aos poucos, as paredes do aposento se afastam, tombam vencidas. E eu estou no mundo solta e fina como uma corça na planície. Levanto-me suave como um sopro, ergo minha cabeça de mundo, do tempo, de Deus. Mergulho e depois emerjo, como de nuvens, das terras ainda não possíveis, ah ainda não possíveis. Daquelas que eu ainda não soube imaginar, mas que brotarão. Ando, deslizo, continuo, continuo... Sempre sem parar, distraindo minha sede cansada de pousar num fim [...] — Estou me enganando preciso voltar. Não sinto loucura no desejo de morder estrelas, mas ainda existe a terra...
b) Indiretamente, isto é, com a intervenção patente do ficcionista na transcrição do fluxo mental da personagem, que comenta, discute e explica (em 3ª pessoa), como se este detivesse o privilégio de sondar-lhe e captar-lhe o mundo psíquico sem deformá-lo, pelo menos aparentemente. Tudo se passa como se a personagem não conseguisse exprimir sua tumultuada psique. Forma-se então, no monólogo interior indireto, o triângulo escritor/protagonista/leitor, ao passo que no direto o primeiro desaparece completamente. Porém as características do monólogo interior indireto tornam-no mais fácil a transcrição do fluxo mental da personagem e, por isso mesmo, é usado mais frequentemente pelos ficcionistas. Em Mrs. Dalloway, Virginia Woolf utiliza o monólogo interior indireto com muitos de seus personagens. Aliás, todos os seus romances contêm excelentes exemplos de monólogo interior indireto; às vezes mesclado com outro discurso, às vezes isolado. Em Perto do Coração Selvagem também encontramos exemplos de monólogo interior indireto:
"De manhã. Onde estivera alguma vez, em que terra estranha e milagrosa já pousara para agora sentir-lhe o perfume? Folhas secas sobre a terra úmida. O coração apertou-se-lhe devagar, abriu-se, ela não respirou um momento esperando... Era de manhã, sabia que era de manhã... recuando como pela mão frágil de uma criança, ouviu abafado como em sonho, galinhas arranhando a terra. Uma terra quente, seca... o relógio batendo tin-dlen... tin-dlen... o sol chovendo em pequenas rosas amarelas e vermelhas sobre as casas. Deus, o que era aquilo senão ela mesma? Mas quando? Não, sempre..."
Percebe-se, no fragmento, o emprego da terceira pessoa (O coração apertou-se-lhe devagar, abriu-se, ela não respirou um momento esperando...) denunciando a nítida presença da autora. A protagonista parece se despersonalizar-se e referir-se a si própria como uma estranha, e a romancista acompanha-lhe os movimentos. Percebe-se também que a interferência é apenas periférica, ficam intocados os impulsos desconexos que habitam a psique da personagem.
O SOLILÓQUIO


Vocábulo de origem latina "Soliloquiu(m)", cujo significado é: [loqui] = falar, [solus] = sozinho. Na literatura esse termo foi cunhado por Santo Agostinho no seu "Líber Soliloquium".
Pode ocorrer tanto no teatro como no romance. O solilóquio presume que a personagem, sozinha em face do auditório e do leitor como se estivesse inteiramente desacompanhada de qualquer outra, articule seus pensamentos em alto e bom som.
O solilóquio consiste na oralização do que se passa na consciência do protagonista. Aí está a diferença do monólogo interior. Neste a oralização se passa no subconsciente do protagonista, de modo que suas emoções e ideias são estruturadas de forma ilógica e incoerente. Já o solilóquio, por se passar no consciente da personagem, suas ideias e emoções são estruturadas de maneira coerente e lógica, ainda, que partindo de um pensamento psicológico e não racional. Considera-se inexistente, no solilóquio, a intervenção do escritor; a personagem se comunica diretamente com o leitor. Daí ser empregado nas circunstâncias em que o escritor deseje que a personagem expresse com meios próprios o que lhe vai à consciência.
O solilóquio é feito sempre na primeira pessoa e dirige-se ao leitor como se a personagem dialogasse com um interlocutor calado, com uma diferença: no solilóquio é possível dizer tudo o que se passa pela mente, enquanto o diálogo não permite, visto ser uma relação.
Nos séculos XVI e XVII foi usado regularmente, como se observa, por exemplo, na obra de Shakespeare, "Hamlet", que apresenta o conhecido solilóquio “To be or not to be”, ou de Gil Vicente, cuja Farsa de Inês Pereira (representação de 1523) começa com um solilóquio da heroína, do qual destaco as primeiras linhas:
Ó Jesus! Que enfadamento,
e que raiva, e que tormento,
que cegueira, e que canseira!
Eu hei de buscar maneira
d’algum outro aviamento
Mais uma vez recorro a Clarice Lispector, em o Coração Selvagem, para exemplificar, com este trecho, o solilóquio:
Eu estava sentada na catedral, numa espera distraída e vaga. Respirava opressa o perfume roxo e frio das imagens. E, subitamente, antes que pudesse compreender o que se passava, como um cataclismo, o órgão invisível desabrochou em sons cheios, trêmulos e puros. Sem melodia, quase sem música, quase apenas vibração. As paredes compridas e altas abóbadas da igreja, recebiam as notas e devolviam-nas sonoras, nuas e intensas. Elas transpassavam-me, entrecruzavam-se dentro de mim, enchiam meus nervos de estremecimentos, meu cérebro de sons. Eu não pensava pensamentos, porém música.”
Notou a confidência, numa narrativa consistente, coerente, lógica, que a personagem faz a você? O mesmo pode-se dizer da descrição. Pois é esta a característica que diferencia o solilóquio do monólogo interior.
No teatro, sobretudo entre o século XVI e meados do XIX, empregava-se um truque aparentado ao solilóquio: o aparte. Consiste no recurso de a personagem manifestar os seus pensamentos de tal forma que só se tornem audíveis a plateia e não pelas demais figuras em cena, transformando, assim, a plateia em verdadeiro confidente.
Materiais da autoria de Ricardo Sergio,tirados do Recanto das letras

domingo, 10 de abril de 2016

LINGUA E LITERATURA NO XIX.OS PRECURSORES.

A LINGUA E LITERATURA NO XIX. OS PRECURSORES.

Podemos deducir dos testemuños da época acerca dos usos e hábitos lingüísticos en Galicia que a inmensa maioría da poboación desenvolvía a súa vida en galego. O castelán era a lingua do mundo oficial, das clases altas e instruídas que habitaban maiormente nas cidades e nas vilas. Cómpre ter en conta que existiría unha porcentaxe de persoas bilingües con capacidade para desenvolverse total ou parcialmente na outra lingua (castelán ou galego) pero este bilingüismo sempre estaba condicionado polo contexto, clase social e hábitat. É dicir, o uso dunha ou outra lingua aparecía ligado ás relacións de poder que rexían a sociedade, de maneira que falar galego estaba valorado negativamente e falar castelán estaba valorado positivamente.

Con todo, como vimos no tema anterior, o galego chegou ao século XIX como a lingua maioritaria de Galicia, gozando dunha gran vitalidade a nivel popular. No contexto político, social e cultural da Europa desa época a cultura popular vai experimentar unha constante revalorización e en Galicia a lingua galega será pouco a pouco recuperada para o seu uso no ámbito público e nos usos cultos e formais, entre eles a literatura.

Os primeiros textos en galego deste século son narracións de intención propagandística: antinapoleónica, xurdidas no contexto da Guerra da Independencia: Proezas de Galicia (1810) de José Fernández y Neyra; antiabsolutista e moi crítico coa Inquisición: Rogos dun gallego (1813) de Manuel Pardo de Andrade, chegou a ter unha difusión extraordinaria no seu tempo. O carácter de “lingua do pobo” do galego é tamén aproveitado pragmaticamente nos “diálogos e coloquios” de tendencia liberal que foron moi populares nos anos 20 durante o Trienio Liberal e na restauración constitucional do 1936: Diálogo entre dos labradores gallegos (1823) ou Tertulia de Picaños (1836).

Nas décadas seguintes é frecuente que aparezan textos nos que se reflexione sobre a marxinación do galego no seu propio territorio e se argumente a favor da súa recuperación pública e rehabilitación na súa valoración social: así o fai Xoán Manuel Pintos en A gaita gallega (1853) e Rosalía de Castro no prólogo de Cantares gallegos (1863). O Rexurdimento reivindica o galego como lingua propia de Galicia e fai un esforzo importante por volverlle a dar o brillo e o prestixio necesario, a través da literatura, para que se convirta nun dos elementos simbólicos máis importantes da nación.

O uso literario dunha lingua popular axiña evidenciou a necesidade de ter un modelo de lingua culto polo que guiarse: que formas son xenuinamente galegas e cales non? cal das diferentes variedades de galego utilizar? Como representar as particularidades fonéticas do galego coa ortografía habitual no español? Rosalía declara no prólogo de Cantares gallegos que se deixa guiar polo seu oído e tenta representar o galego que escoitou desde a cuna; Pondal somete o galego da súa terra de Bergantiños a un intenso labor de depuración e enriquecemento por medio de cultismos latinos e gregos; Curros baséase tamén no seu galego de Celanova, non renuncia á expresividade popular pero depurándoo de castelanismos.
  • É frecuente o uso de apóstrofes e guións: Tal com´as nubes qu´impele o vento; nun-ha
  • Atopamos vacilacións do vocalismo átono propias da lingua oral popular: delor, préstemos, miniña, sintindo, afertunada...
  • Ás veces palabras galegas, pero que teñen unha forma moi semellante á castelá, son deformadas para conseguir un aspecto máis galego. A estas alteracións chámanselles hiperenxebrismos: primadeira, brilan, estranas.
  • Uso de castelanismos: hermosa, dichoso, soledad.

Cara a 1860 aparecen os primeiros dicionarios e gramáticas de lingua galega e a Historia de Galicia (1865-66) de Manuel Murguía adícalle un capítulo ao galego. Algunhas destas gramáticas do XIX, ademais do interese pola lingua, preséntansse a si mesmas como guías útiles para que os forasteiros que viñesen a Galicia solventasen os problemas de comprensión cunha poboación maioritariamente monolingüe en galego.

En definitiva, a lingua galega ocupa un lugar importante dentro das reivindicacións do galeguismo, como símbolo fundamental da identidade nacional. Paralelamente vaise consolidando como lingua literaria, primeiro poética e máis tarde na prosa narrativa e o teatro, aínda que os prólogos escritos por Rosalía de Castro para as súas obras en galego, Cantares gallegos e Follas novas son un magnífico exemplo de ensaio en galego. A literatura galega contemporánea estaba ao final do século XIX plenamente asentada e o seu cultivo será de gran importancia para a recuperación do prestixio perdido pola lingua galega ao longo dos Séculos Escuros.

A literatura do XIX.Os Precursores.
O Rexurdimento é un movemento intelectual, cultural e político que ten como centro da súa preocupación a reivindicación de Galicia como unha entidade cultural e política posuidora dunha identidade propia e diferenciada dentro do estado español. O Rexurdimento literario non pode entenderse sen o previo desenvolvemento dun movemento político coñecido como Provincialismo. O Provincialismo reivindica a Galicia como unha entidade política e cultural diferenciada desde unha ideoloxía de carácter liberal progresista. Nel participaron activamente moitos dos escritores en galego anteriores a Rosalía de Castro como Xoán Manuel Pintos, Francisco Añón ou Alberto Camino. O Provincialismo rematou co fracaso do levantamento militar de Solís (1846) e o fusilamento de moitos dos participantes. A partir dese momento a reivindicación e a defensa de Galicia convertirase nun movemento literario: o Rexurdimento. Na década dos 50 o Rexurdimento cultural articúlase arredor do Liceo de la Juventud de Santiago e os xornais da época. É no Liceo onde Rosalía entra en contacto con ese ambiente intelectual que promove a cultura e a lingua galegas.

Antonio Benito Fandiño (1779-¿1832?), destacado liberal santiagués e
promotor do xornal El Heráclito Español y Demócrito gallego. É autor
de A casamenteira, escrita en prisión en 1812 mais publicada en 1849.
Trátase dunha pequena obra de teatro en versos octosílabos, presentada
como “sainete en gallego para cuatro personas” e dividida en tres cadros,
cun total de 16 escenas. Trata o tema dos casamentos amañados
ou por interese, para denunciar e desenmascarar o papel das “casamenteiras”,
por mentirosas e manipuladoras. A mensaxe última da peza está
nos versos “O casarse quêr cariño / e se no-o hay sale mal”.
Nicomedes Pastor Díaz (Viveiro,1811-Madrid, 1863), escritor romántico
e político liberal moderado, é autor do poema de temática amorosa
A alborada”, escrito en 1828 e composto por dezaseis estancias de seis
versos hendecasílabos e heptasílabos. No ano 1951 descubriuse outro
poema seu, que leva por título “Égloga. Belmiro e Benigno”. Presenta
cinco estancias de catorce versos hendecasílabos e heptasílabos e está
protagonizado por dous pastores que dialogan sobre as súas tristuras de
amor. Ambos os textos, escritos antes de instalarse o seu autor en Madrid
(1832), poden considerarse as primeiras pezas autenticamente literarias
do noso século XIX. Pastor Díaz ía ser o prologuista dos Cantares de
Rosalía, mais a morte impediuno.
Alberto Camino (Ferrol, 1820-Madrid, 1861) compuxo vilancicos para


o Hospicio compostelán e poemas románticos e elexíacos publicados no
xornal El Porvenir en 1845, como os intitulados “Nai chorosa” e “O desconsolo”.
Tamén escribiu poemas costumistas (“A foliada de San Xoán”)
e de circunstancias (“O nacemento do real meniño”). A súa obra foi recollida
e publicada postumamente na “Biblioteca Gallega” de Martínez
Salazar (1896). Tamén foron cultivadores do verso galego seus irmáns
Antonio e Domingo Camino.
Francisco Añón Paz (Boal-Outes, 1812-Madrid, 1878). Estudou no Seminario e fixo a carreira de Dereito na universidade santiaguesa. Participou
na revolución galega de 1846 (inspirada polo Provincialismo)
e, a consecuencia da represión do levantamento, exiliouse en Portugal.
Viaxou durante anos por Europa ao servizo dun lord inglés e resultou
galardoado nos “Xogos Florais” coruñeses de 1861 polo poema “A Galicia”.
En Madrid presidiu a sociedade “Galicia Literaria” (1875) promovida
por Teodosio Vesteiro Torres e acabou os seus días enfermo e pobre.
A súa obra, basicamente costumista, epigramática, áulica e social, foi
recollida despois da súa morte pola “Biblioteca Gallega” (1889). Tamén
foi poeta de clara inspiración popular súa irmá Nicolasa Añón, de quen
se conservan moi poucos textos.
Xoán Manuel Pintos (Pontevedra, 1811-Vigo, 1876), membro da xudicatura,
é autor de A gaita gallega (1853). Esta obra, dividida en sete
foliadas”, en prosa e verso, con fragmentos en castelán, galego e latín,
foi concibida como un método de aprendizaxe e exaltación do galego
(“para ir deprendendo a ler, escribir e falar ben a lingua gallega, e aínda
máis”, indica no título). Dous personaxes, o gaiteiro galego e o tamborileiro
foráneo, van dialogando e reflexionando sobre as características
gramaticais do galego, a súa fonética, o desprezo que existe cara a el na
sociedade etc. A obra inclúe listaxes de palabras para distinguir o timbre
das vogais, equivalencias castelás de palabras galegas, etimoloxías latinas
do noso léxico etc., mais tamén poemas sobre temas como a emigrase conservan moi poucos textos.
Xoán Manuel Pintos (Pontevedra, 1811-Vigo, 1876), membro da xudicatura,
é autor de A gaita gallega (1853). Esta obra, dividida en sete
foliadas”, en prosa e verso, con fragmentos en castelán, galego e latín,
foi concibida como un método de aprendizaxe e exaltación do galego
(“para ir deprendendo a ler, escribir e falar ben a lingua gallega, e aínda
máis”, indica no título). Dous personaxes, o gaiteiro galego e o tamborileiro
foráneo, van dialogando e reflexionando sobre as características
gramaticais do galego, a súa fonética, o desprezo que existe cara a el na
sociedade etc. A obra inclúe listaxes de palabras para distinguir o timbre
das vogais, equivalencias castelás de palabras galegas, etimoloxías latinas
do noso léxico etc., mais tamén poemas sobre temas como a emigra-
ción, as fames espantosas da época, o marisqueo, a historia da cidade de
Pontevedra, o autoodio que padecen moitos galegos, a importancia do
Padre Sarmiento etc. Pintos tamén deixou feito un Vocabulario Gallego-
Castellano con máis de sete mil palabras.

En 1861 organízase na Coruña un certame poético coñecido como os Xogos Florais a instancias dun rico indiano chamado José Pascual López Cortón. Nas bases do certame establécense premios para composicións en galego e en castelán. As composicións presentadas foron recollidas nun volume chamado o Album de la caridad (1862) que foi completado cun “Mosaico de nuestros vates gallegos contemporáneos”. No “Mosaico” atopamos unha nutrida representación de poemas en galego, algúns deles firmadas por escritores que protagonizarán o Rexurdimento anos despois, como Rosalía e Pondal. O trascendente deste episodio é que mostra como a lingua galega empeza a estar presente nos ambientes cultos por medio da literatura. Podemos afirmar que inicia así a loita polo prestixio, imprescindible para chegar a ser recoñecida como o principal sinal de identidade dos galegos. A literatura convértese, pois, nun instrumento fundamental, e moi eficaz, para recoller o imaxinario galego (as imaxes, crenzas e experiencias colectivas dos galegos) e ir construíndo a idea de Galicia.

Os temas que dominan a literatura galega do Rexurdimento xiran arredor de dous asuntos fundamentais:
  • O problema da identidade cultural diferenciada: aquí entraría tanto a descrición e defensa da cultura tradicional galega na que ocupa un lugar moi importante a lingua (Rosalía e Curros) como a recreación dunha mitoloxía galega (Pondal).
  • Os problemas sociais que afectaban ás clases populares: entre eles o problema da posesión da terra, as inxustas relacións económicas e de poder entre as clases dirixentes e as clases populares que son a causa da emigración masiva a América.

Adóitase dicir que a 1ª obra en galego de Rosalía de Castro, Cantares gallegos (1863), inaugura o Rexurdimento. A obra é moi importante no desenvolvemento do Rexurdimento, sen dúbida ningunha, pero Rosalía non partiu da nada, senón que se inscribe nunha tradición que daba os seus primeiros pasos. O éxito e as expectativas que abre esta obra son realmente extraordinarias e converten á súa autora na referencia inexcusable dos que veñan despois. Porén cada un dos poetas que imos estudar teñen unha personalidade vital e literaria moi acusada, como imos ver a continuación, e por iso lles dedicaremos un capítulo á parte. Meréceno.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Comentario 2º ESO

GAME OVER
Si.
Esa foi a túa curva derradeira.
Tranquilo. Non te asustes.
Xa non tes nada que temer.
Non fagas por moverte.Non podes.
Punto final.
Game over.
Mira.
Aquel é o teu corpo deitado na cuneta.
A escena tivo sangue.
Tivo berros.
Tivo néboa.
Tamén dor.
Mírate un chisco máis tarde.
Ambulancia.
Urxencias.
Asfixia.
Unha mesa de quirófano.
Un anaco inerte de carne.
Non, xa non che é posible falar.
Non tes boca.Nin aire nos pulmóns.
Neste lugar o oxíxeno é un luxo innecesario.
Neste lugar xa non precisas nada en absoluto.
Nin moito menos a ninguén.
Mira.
Teu pai a petar co puño nos azulexos brancos.
Inútil.
Túa nai cos ollos desenfocados pola sombra.
Inútil.
(...)
Mira un momento o que deixas atrás.
Aquilo que nunca volve ao seu sitio.
Aquilo que se esvae e non deixa rastro.
Imaxes que podrecen como mazás con bicho.
Imaxes esmagadas como mosquitos contra o parabrisas.
Xa non.
Xa non bicos con lingua.
Nin mensaxes non mobil.
Nin partidos de fubito.
Nin cubatas cos colegas.
Nin derrapaxes pola grava.
Nin xogos na consola.
Nin tecno nos oídos.
Nin noites de sábado.
Nin outra madrugada.
Só unha néboa mesta é eterna.
(...)


Podes ver unha representación completa deste poema en: http://trafegandoronseis.blogspot.com.es/2015/06/game-over.html


1-Explícanos o significado deste poema,ten en conta que o protagonista de Makinaria é un adolescente enamorado dos coches, da música tecno e das festas.Quen fala? A quen se dirixe?Por que se titula Game Over?

2-Fíxate agora na forma:
-Os versos teñen a mesma medida ?
-Presentan rima?
-Busca algúns dos recursos poéticos que temos visto,paralelismos,anáforas,comparacións...


3-Que significa o verso:”Só unha néboa mesta e eterna”.

4-Cal é a actitude dos pais do protagonista? Por que é inútil?

5-Busca información e fainos un resumo da vida e da obra de Carlos Negro.

terça-feira, 15 de março de 2016

O filho inculto de Pessoa.

“Sou um guardador de rebanhos…” Sobre Alberto Caeiro encarnado en Fernando Pessoa. Raquel Miragaia

1. Biografia.

 Fernando António Nogueira Pessoa naceu en 1888, en Lisboa, aí morreu en 1935, e poucas veces deixou a cidade en adulto, mais pasou nove anos da súa infancia en Durban, na colonia británica da África do Sur, onde o seu padrasto era o cónsul Portugués. Pessoa, que tiña cinco anos cando o seu pai morreu de tuberculose, tornouse un rapaz tímido e cheo de imaxinación, e un estudante brillante. Pouco despois de completar 17 anos, volveu a Lisboa para entrar no Curso Superior de Letras, que abandonou despois de dous anos, sen ter feito un único exame. Preferiu estudar por súa propia conta na Biblioteca Nacional, onde leu libros de filosofía, de relixión, de socioloxía e de literatura a fin de completar e expandir a educación tradicional inglesa que recibira na África do Sur. A súa produción de poesía e de prosa en Inglés foi intensa durante este período, e ao redor de 1910, xa escribía tamén moito en Portugués.  Vivindo por veces con parentes, outras veces en cuartos alugados, Pessoa gañaba a vida facendo traducións ocasionais e redacción de cartas en inglés e francés para firmas portuguesas con negocios no estranxeiro. Aínda que solitario por natureza, cunha vida social limitada e case sen vida amorosa, foi un líder activo da corrente modernista en Portugal, e el propio inventou algúns movementos, entre os cales un «Interseccionismo» de inspiración cubista e un estridente e semifuturista «Sensacionismo».  Respectado en Lisboa como intelectual e como poeta, colaborou regularmente en revistas, algunhas das cales axudou a fundar e a dirixir, mais o seu xenio literario só foi plenamente recoñecido tras a súa morte.   Pessoa escribía en cadernos de notas, en follas soltas, no verso de cartas, en anuncios e panfletos, no papel timbrado das firmas para as cales traballaba e dos cafés que frecuentaba, en sobrescritos, en sobras de papel e nas marxes dos seus textos antigos. Para aumentar a confusión, escribiu baixo decenas de nomes. Chamou heterónimos aos máis importantes destes «outros eus», dotándoos de biografías, características físicas, personalidades, visións políticas, actitudes relixiosas e actividades literarias propias. Algunhas das máis memorábeis obras de Pessoa escritas en Portugués foron por el atribuídas aos tres principais heterónimos poéticos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos e ao «semi-heterónimo» Bernardo Soares. Os moitos outros alter-egos de Pessoa inclúen tradutores, escritores de contos, un crítico literario inglés, un astrólogo, un filósofo, un frade e un nobre infeliz que se suicidou. Había até un seu «outro eu» feminino: unha pobre corcunda con tuberculose chamada Maria José, perdidamente enamorada dun cerralleiro que pasaba pola xanela onde ela sempre estaba, ollando e soñando.
Biografía de Richard Zenith en http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/
2. Contexto histórico e cultural.
  O final do século XIX e o principio do XX veu marcado polos enfrontamentos entre as diferentes potencias que xa mostraran o seu poder co imperialismo do século XIX. As tensións entre as potencias derivarán na I Gran Guerra. Dise habitualmente que neste final do século XIX comeza a modernidade, tanto polas novidades científicas e tecnolóxicas (a teoría da relatividade de Einstein, a invención do automóbil, o avión ou o cinematógrafo) que mudan a forma de concibir o universo; como polas diferentes posturas no pensamento e na arte. Canto ás novidades máis reseñábeis no pensamento, temos que falar de dous filósofos fundamentais: Friederich Nietzsche co seu postulado da “morte de deus” como unha maneira de simbolizar a quebra da civilización e a ocupación do ser humano dese lugar divino, un ser humano especial, perfecto (un superhome) e tamén Henri Bérgson coa súa revalorización da intuición, facendo predominar os valores espirituais sobre os racionais. No campo da literatura, pódese dicir que nesta época xurde a literatura moderna, é dicir, unha mudanza radical na forma de entender os postulados estéticos, na literatura e na arte en xeral. Esa renovación verase concretada nos movementos simbolistas e, especialmente, nas vangardas (vid. tema 6). Fernando Pessoa sentiu a influencia de todos estes movementos converténdose nun dos primeiros introdutores destas correntes literarias en Portugal. Alén de ser o transmisor das novidades, tamén se considera o creador do sensacionismo, un movemento estético baseado na procura das sensacións. Participou activamente na creación de revistas literarias fundamentais como Orpheu ou Presença.
3. A obra de Fernando Pessoa e os outros “eus”: tres heterónimos fundamentais.
 O mais característico de Fernando Pessoa é o seu desdobramento literario en diferentes heterónimos, á maneira da máscara no teatro clásico Pessoa crea as súas outras persoas (pessoas) coa creación de diferentes personaxes cos que pode expresar as diversas facetas da súa personalidade artística. Creou máis de cen heterónimos diferentes, aínda que só vamos falar dos seus tres principais: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, e, por suposto, Alberto Caeiro. Tan importantes foron estes heterónimos que case non publica obra asinada co seu verdadeiro nome, a obra máis destacada de Fernando Pessoa ortónimo foi Mensagem unha colección de poemas sobre personaxes históricos portugueses en que se sente un certo patriotismo e se revive o mito do sebastianismo (o desexo da “resurrección” do rei Sebastião I para manter a coroa portuguesa). De Ricardo Reis sabemos que foi médico de profesión e de ideoloxía monárquica. A súa educación foi de carácter clásico e latinista, o que lle fixo dominar á perfección a forma dos poetas latinos. A súa concepción da vida está marcada pola simplicidade, a serenidade e a aceptación da relatividade das cousas. É seguidor do sensacionismo, unha herdanza do seu mestre, Alberto Caeiro. Alvaro de Campos é un enxeñeiro que estudou en Escocia e viaxou por Oriente. É o máis vangardista de todos os heterónimos pois a súa estética está ben próxima do futurismo (admira a enerxía, a forza, a civilización) e o sensacionismo (escribe sobre as sensacións da enerxía e o movemento. O subxectivismo radical da súa obra acabará por levalo á conciencia do absurdo, ao tedio, á desilusión e ao cansazo vital. Alberto Caeiro é o mestre dos dous anteriores, como eles mesmos proclaman. O seu nacemento literario está documentado en varias cartas de Pessoa en que conta como no día 8 de marzo de 1914 Caeiro aparece para Pessoa escribindo máis de 30
poemas do Guardador de rebanhos. A súa voz poética reivindica a simplicidade, a serenidade e clareza das cousas. Poderíase resumir de forma completamente redutora a Caeiro como o poeta da natureza e da actitude antimística. Mais vamos ver estes aspectos máis pormenorizadamente no seguinte apartado. 
4. Alberto Caeiro: guardador de rebanhos e filósofo anti-filosofía.
4.1.Temática: a non filosofía.
 Alberto Caeiro comeza o seu poemario cunha declaración de intencións: non é un guardador de rebanhos mais é como se o fose. Máis adiante, evolucionará para afirmar xa a súa identidade, tórnase guardador de rebaños a medida que a poesía avanza. E, que ten esa figura para ser tan atractiva ao poeta que se torna ele mesmo pastor? Ten a simplicidade e o contacto coa Natureza. Porque toda a temática dos poemarios de Caeiro podería reducirse a dous aspectos: “as coisa não têm significação: têm existência”, e a Natureza é o maior exemplo do existir sendo, á súa vez, divindade. A voz poética de Caeiro fai unha continua afirmación filosófica do sentido da vida, afirmación que contradí a súa propia teoría de negación da filosofía. Esa afirmación consiste en aceptar o mundo tal e como é e tratar de entendelo da única maneira posíbel: a través da percepción. Non existe significado trascendente nas cousas, na realidade, o único significado posíbel é o propio feito da existencia e iso é simples e complexo á vez. Se queremos entender o mundo só temos que percibilo, non pensar nel. Percibilo a través dos sentidos (fundamentalmente a vista), da forma máis obxectiva posíbel. Por iso, ningunha valoración é verdade, calquera valoración (como a afirmación da beleza das cousas) desvirtúa a realidade, contamínaa. As cousas non teñen beleza, teñen cor, teñen forma, mas a beleza é unha intervención humana sobre as cousas. O sentido preferido para esa percepción é a vista, a ollada non intervén na realidade, as cousas están alí e só se aprecia a súa existencia (a súa esencia) a través da ollada. Se non pensamos no mundo, se só o vemos, eliminamos as mediacións entre o realidade e o “eu” poético, obxectivo final de Caeiro. Entre as moitas mediacións posíbeis, a propia linguaxe poética que debe desfacerse de todo o que deturpe a realidade (como a metáfora, figura literaria moi pouco usada por este heterónimo). Nesta procura da esencia das cousas, de SER, cobra unha especial importancia o presente, por ser o único tempo que existe. Hai que rexeitar o pasado e as súas lembranzas e o futuro e as súas especulacións por non ter existencia. Só o presente existe (e ás veces nin iso). A Natureza, omnipresente en todo o poemario, é o exemplo máis claro da existencia. É unha referencia continua pola súa existencia sen pensamento, o “eu” poético trata de identificarse con ela, con as cousas que existen. Esa Natureza que é ademais de carácter divino, igual que o ser humano e todo o que existe, nese panteísmo característico de Caeiro. Rexeita todo tipo de dogmatismo relixioso e símbolos cristiáns tan ridículos (vid. poema VIII) e afirma o carácter divino de todos e cada un dos elementos da realidade. E se a Natureza é divina, tamén é variable, por tanto, infinita. Coñecer a natureza é ver as cousas como se se viran por primeira vez, porque a margarida que vemos hoxe non é a mesma que a que vimos onte (a de onte, xa non existe). Este concepto da infinita variabilidade das cousas lembra o río de Heráclito en que nunca podes bañarte por segunda vez. Entón, ante esta non-filosofía, non se pode aceptar ningún discurso sobre o Universo, a metafísica non existe, a única metafísica posíbel e o simple feito de existir. Esa negación da metafísica esténdese até calquera forma de pensamento. Se pensamos as cousas atribuímoslle características que non teñen, por iso, o pensamento é metodicamente rexeitado poema tras poema.
E como se entende a morte nesta non filosofía? Pois nunha dicotomía contraditoria ou non tanto. Caeiro fálanos nos Poemas inconjuntos da súa propia morte, esta non vai modificar nada porque non modifica a existencia, a consciencia do resto da realidade de existir. E ao mesmo tempo si modifica o mundo, porque o mundo sen un individuo non é o mesmo mundo que con ese individuo, nesa eterna e infinita variación da realidade. 
4.2. Estilo: a simpleza e o nudismo literario.
  Se o mundo é simple e sinxelo, se a realidade existe e iso é o único importante, a linguaxe con que transmitimos ese mundo non pode traizoalo. Por iso Caeiro pode ser acusado en certas ocasións de pobreza léxica, mais é unha pobreza completamente falsa. A súa poesía está baseada na sinxeleza: o mundo existe, é simple e só hai que ollar para velo, para entendelo. Por tanto, a poesía debe ser igualmente simple e fiel á realidade. Non se excede no uso de figuras estilísticas, apenas aquelas repeticións que van axudar a transmitir o mundo tal e como é: - enumeracións longas ou cortas sobre o que existe. - concatenacións lóxicas que explican o mundo: “Sou un guardador de rebanhos/o rebanho é os meus pensamentos/e os meus pensamentos são todos sensações) - anáforas e polisíndetos subliñando as enumeracións (se o mundo non se pode pensar, só ver, tampouco se pode explicar, só mencionar) - paralelismos sintácticos e semánticos - ecos (repeticións de coordenadas temporais –agora- e espaciais –aquí-) O seu estilo sinxelo evita os adxectivos innecesarios, úsanse poucos e de campos semánticos escasos (tristeza/alegría, beleza...). Evítase tamén o uso excesivo de metáforas aínda que podemos encontrar algunhas e substitúense pola continuada comparación, todo é “como se”, “como”. En ocasións, o discurso argumentativo fica moi claro en afirmacións categóricas, de sabedoría xeral. Outras veces ese mesmo discurso argumentativo represéntase a través das preguntas retóricas e das hipóteses que se confirman. A Natureza omnipresente pode ser animalizada, igual que os fenómenos naturais, como unha forma de facela máis presente, máis patente. E non todo é trascendente nin natural, a presenza de elementos do cotiá fan mais “real” a poesía. O seu estilo pode caracterizarse en moitas ocasións de inocente, case infantil, trasladando ao estilo esa maneira inxenua en que os nenos perciben o mundo, con comparación simples e léxico pouco variado. Como calquera outro filósofo, non todo na súa visión do mundo é claro, tamén se contradí. Esas contradicións formúlanse a través dos paradoxos e de realidades que se negan a si mesmas.
BIBLIOGRAFÍA.
PESSOA, F. (2011): Poemas de Alberto Caeiro, Colección Visor de Poesía. PESSOA, F. (1986): A poesia de Alberto Caeiro. Apresentação crítica, selecção e linhas de leitura de Manuel Gusmão,  Comunicação. FERREIRA, Luzilá Gonçalves (1989): A anti-poesia de Alberto Caeiro: uma leitura de o guardador de rebanhos, Recife : Associaçao de Estudos Portugueses Jordao Emerenciano. http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=223 http://arquivopessoa.net/textos/1456   https://www.youtube.com/watch?v=3b2Q_DJDMho https://www.youtube.com/watch?v=ZNWEmKLLFWA

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

As Cantigas de Santa María

TEMA 6: AS CANTIGAS DE SANTA MARÍA


TEMA 6 (1º Bac): A POESÍA TROBADORESCA GALEGO-PORTUGUESA (II)
A POESÍA RELIXIOSA LÍRICA E NARRATIVA: AS CANTIGAS DE SANTA MARÍA
 Alfonso X e o equipo de poetas e músicos encargados da redacción das Cantigas de Santa María
As Cantigas de Santa María son unha colección de 427 composicións narrativas e de loor (líricas) dedicadas a enxalzar á Virxe María. Foron feitas ao longo de varias décadas do século XIII por un equipo de trobadores e artistas plásticos que traballaba ás ordes do rei Alfonso X, o Sabio.
As cantigas narrativas teñen un propósito exemplarizante, mostrando como os humanos sempre poden confiar na axuda da Virxe María por moi grande que sexa o problema que os ameaza. A Virxe móstrasenos como unha nai comprensiva disposta a perdoar os pecados e como unha intermediaria eficaz entre os humanos e Deus.
As cantigas de loor son unha especie de cantigas de amor “ao divino” nas que o papel da dama perfecta á que o poeta admira e promete servir corresponde á Virxe María.
 O Códice Rico do Escorial
A estrutura dos códices que conteñen as Cantigas de Santa María é fixa: cada 10 cantigas unha, a décima, é de loor. Consérvanse catro códices da época, algúns conteñen a letra e música das cantigas e outros, ademais, engaden miniaturas narrativas de extraordinaria beleza: o Códice da Biblioteca Nacional de Madrid (128 cantigas con notación musical), o Códice E conservado na Biblioteca do Escorial (417 cantigas), o Cotice T, ou Códice rico, (193 cantigas con notación musical e moitas miniaturas), Códice da Biblioteca Nacional de Florencia (104 cantigas con miniaturas).
No seguinte link: http://cantigas.webcindario.com/index.htm atoparás unha selección de cantigas coas miniaturas e as músicas orixinais, ademais de información acerca do labor cultural do rei Afonso X
As Cantigas de Santa María son parte dunha corrente literaria relixiosa que promociona o culto á Virxe dentro dunha tradición relixiosa, a xudeo-cristiá, monoteísta e patriarcal, incorporando así en certa medida os vellos cultos ás deusas de moitas relixións pagáns. En Europa estaban de moda as coleccións de milagres marianos que o equipo redactor das Cantigas de Santa María no dubida en adaptar. A estes milagres en latín e fracés, engádense milagres da tradición oral ibérica e mesmo milagres baseados na propia vida do rei Alfonso X. O rei quixo facer unha obra colosal e por esta razón mantivo a colección aberrta a novas incorporacións e melloras artísticas durante boa parte da súa vida.
Outra das características máis destacables da obra é a súa riqueza métrica e estilística. Nela, ademais dos esquemas métricos presentes na tradición poética europea, incorpora esquemas propios da poesía árabe-andalusí como o zéxel, con diversas variacións, que será a estrofa básica das cantigas narrativas: AA(refrán) bbb(mudanza) a(volta)  AA(refrán), etc... No refrán atópase a razón (ou argumento) onde se divulga o culto á Virxe constituíndo unha especie de pílula ideolóxica. Nos versos da mudanza e volta vaise desenvolvendo ao longo das sucesivas estrofas o exemplo, é dicir, a anécdota concreta onde se demostra que o adiantado na razón se cumpre. Comeza presentando un personaxe nun marco espazo-temporal cun conflito que semella insalvable pero que, despois da fervorosa petición á Virxe e da intervención desta a través dun milagre, acaba resolvéndose felizmente. Todas as cantigas rematan cunha loanza á Virxe a modo de conclusión.

A farmacia do xudeu

 
A lectura das cantigas narrativas ofrece un retrato fresco e variadísimo da sociedade medieval ibérica, tanto literario (a letra das cantigas) como iconográfico (as miniaturas que as acompañan), pois nelas aparecen diversas clases sociais, persoas de diferentes xéneros, oficios, idades e circunstancias.
As Cantigas de Santa María son un dos cumes da literatura medieval occidental e a súa existencia demostra ata que punto a lingua galega era, no tempo en que foron escritas, unha lingua de enorme prestixio cultural e dotada dunha gran capacidade estilística para todo tipo literatura.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Madame Bovary.Comentario.

E cando se viu libre de Carlos,Enma subiu a encerrarse no seu cuarto.Ao primeiro sentiu como un atordoamento: vía as árbores, os camiños, as gabias,, a Rodolfo e sentíase aínda apretada entre os seus brazos,mentres se estremecía a follaxe e asubiaban os xuncos.
Pero ao se ver no espello, asombrouse da súa cara.nunca tivera os ollos tan grandes,tan negros, nin tan profundos. Algo sutil espallado sobre a súa persoa a transfiguraba.
Ela repetía “Teño un amante ! Un amante !” deleitandose nesa idea, como outra pubertade que sentía renacer.Ía, pois, posuír por fin aqueles praceres do amor, aquela febre de feliociddae que tanto desexara.Entraba en algo marabilloso onde todo sería paixón,éxtase, delirio ; unha inmensidade azulada envolvíaa, os cumes do sentimento resplandecían baixo a súa imaxinación e a existencia ordinaria non aparecía senón ao lonxe, moi abaixo, na sombra, entre os intervalos daquelas alturas.
Entón lembrouse das heroínas dos libro que lera, e a lexión lírica daquelas mulleres adúlteras comezou a cantar na súa memoria con voces de irmás que a enfeitizaban. Ela viña sendo como unha parte verdadeira daquelas imaxinacións e realizaba o longo soño da súa xuventude contemplándose naquel tipo de namorada que tanto envexara. Por outra parte, Enma experimentaba unha satisfacción de vinganza.Non sufrira xa bastante ?Pero agora triunfaba, e o amor tanto tempo contido, agromaba por enteiro con ledos fervores. Ela saboreábao sen remordemento, sen inquedanza, sen desasosego ningún.
O día seguinte pasou nunha calma nova.Fixéronse xuramentos. Ela contoulle as súas tristuras.Rodolfo interrumpía con bicos e ela contemplábao coas pálpebras semipechadas, pedíalle que a chamase polo seu nome, que lle repetise que a amaba. Isto sucedía no bosque, como na véspera, nunha cabana de zoqueiros. As paredes eran de palla, o tellado era tan baixo que había que dobrarse.estaban sentados un á beira do outro nun leito de follas secas.


-Cal é o tema do fragmento ? Que relación ten co resto da obra?

-Como definirías os personaxes? Móvense polos mesmos intereses?

-Unha das innovacións de Madame Bovary é o punto de vista.Que podes decirnos diso neste fragmento.

-Ten algunha significación o espazo neste fragmento.


PUTA

 Video poema feito por Marta Villar sobre este poema de Luisa Villalta do libro póstumo Papagaio. PUTA